Pleura do momento presente

POR

Rafael Mendes de Barros

Saibas que ainda que a vir possa o terror ante de nós imposto
por alguma das vãs hordas que aqui cercam-nos, já do gosto
lembre a grã sensação qual bem nos traz lúpulo mais cevada,
malte e coisa ademais que se contém nesta fugaz, gelada,
boa cerveja, afinal tu não ouviu este ditado nosso?
Vês: bebida nos dá tal lucidez, pois nestas doses, posso,
homeopáticas é néctar que traz brilho da juventude,
vir a recuperar tônos e assim mesmo o vigor da saúde,
logo após mais um dia tão por banal como por exaustivo…
Sei que clamas aí todo o voltar teu desse tempo altivo
dado aos nossos avós, nem me caber nestas afãs censuras
ponho-me eu, porque até sei que razão tens no que vez auguras…
Paulistana de tuas urbes seguir vem ao assaltar dos lobos
que fazer se ao votar nossa infeliz turba deixou-nos bobos?
mas se ruem provisões estas no ser seu da alcatéia difusa,
cai província, porém na hora ainda não, que antes dormir-o abusa,
mor poder que se deu p’ra o eleitoral rito do principado…
Certas vezes nos vêm hienas tomar reino que é destinado
para o leão que no então, sorte do enfim, já seguirão bem longe
dessa audaz capital que em federal paço no cerne esconde
selva própria ao matiz teu do acordar tão natural da pólis;
lembra: o estrago se deu fruto do aquém vão rebelar, conformes
fez-se às massas qualquer tipo de ação; caiu uma presidente,
desde outrora, no andar, vamos por vir, como que residente
deste abismo,e no assim: cabra a fugir desses leões, e os leões
são cercados a fio pelas desleais hienas; tecer canções
passa o Tempo, entretém, mas não nos dá são verniz do amanhã…
nota em trópicos que todas as crias, filhos da terra irmã,
temem ver Sucuri que é por algoz tudo, porém até
furta-se ela ao Jaguar, tal parecer certo nos diz: é o que é;
e há a República ter que se encontrar próprio com teu Jaguar,
vãos momentos tombar foram Aqueus reinos ou Roma e dar
para ti meu falar pouco sei que eu tenho; beber, o músculo
nos relaxa a pensar: — Oh como é boa perto do breu crepúsculo!
Já aos antigos se pôr por invejar, tu no tentar, não mais
venhas: Tempo a voltar nunca nos vem, justo p’ra o Amor jamais…